Seguidores

novembro 23, 2012

.croissant, croissã ou cruassã?

Foto encontrada AQUI.

Começo a mensagem de hoje com uma transcrição do Ciberdúvidas:
[Pergunta] Gostaria de saber qual é o aportuguesamento da palavra "croissant". No dicionário da Academia (…) encontrei: "croissã"; no dicionário brasileiro Aurélio encontrei para o português europeu: "cruassã".
Qual adoptar? Obrigado.  (José Rodrigo:: Empresário :: Lisboa, Portugal)
[Resposta] Refere-se, com certeza, à ortografia da palavra.
Quanto à proposta do Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa, parece-me que, de facto, há uma certa incoerência: se aportuguesaram a terminação para «ã», porque não aportuguesar também o «oi» para «ua», como de resto faz o Dicionário Aurélio? Por outro lado, também não me parece que «cruassã» seja a melhor forma para nomear os tradicionais bolos franceses, já que, apesar de coerente, não é reconhecida pela maior parte das pessoas. Nesta medida, defendo a proposta do Dicionário Houaiss e do da Porto Editora, que referem “croissant” para designar os bolos em forma de crescente. (Susana Correia:: 26/03/2003)

Mais de nove anos passados sobre esta resposta, algo mudou e a Porto Editora, seguindo a proposta de adaptação do dicionário da Academia das Ciências de Lisboa, criou um verbete com a entrada croissã, remetendo para croissant, que parece ser a forma preferencial. O VOP do Portal da Língua Portugal, tão “ousado” noutras adaptações, regista apenas croissant.
Estava convicto da existência de uma adaptação da famosa meia-lua no português do Brasil e… enganei-me! Não encontrei croissã nem cruassã em nenhuma fonte. Quanto à grafia croissant, está no Aulete, Dicionário Online de Português, Houaiss. O Michaelis e o VOLP da Academia Brasileira de Letras não registam nenhuma das palavras, como se o irresistível croissant não existisse…

CONCLUSÕES:
Portugal (norma luso-afro-asiática)
croissant (em itálico ou entre aspas) e croissã
Brasil (norma brasileira)
croissant (em itálico ou entre aspas)
Nota: A grafia cruassã, proposta por M. Azevedo num documento muito recente que encontrei na internet (“Dicionário de Palavras Difíceis de Traduzir”: http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/mazevedo/materiais/Geral/Dicionario.pdf, acedido em 23.11.2012), embora pudesse ser uma adaptação lógica, parece estar, para já, fora de jogo, pois nenhuma fonte luso-brasileira a regista.

Abraço.
AP

14 comentários:

  1. Muito bom, gostei da colocação a respeito de Croissant. BAcana as referêncIAS. Tem uma música de Seu Jorge - BURGUESINHA que tem "Croissant".


    Penso que poderíamos fazer uma parceria de blogs. O que acha?
    Gostei do seu blog.


    http://ricardosenee.blogspot.com.br

    ResponderEliminar
  2. Gostei de suas pesquisas, são muito interessante. abraços e tudo de bom!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigado, Barbie!
      Também sou seguidor do seu interessante blogue.
      Abraços e seja feliz, que é o mais importante na vida!
      AP

      Eliminar
  3. Das duas, uma:
    Ou se deixa ficar tal qual, caso em que se se grifará;
    ou se aportuguesa, caso em que a 1.ª sílaba não pode escrever-se «croi» e do mesmo passo pronunciar-se «croá» ou «cruá».
    A boa solução é a de M. Azevedo.
    - Montexto

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Concordo que "cruassã" seria a boa solução. No entanto, para já, é apenas uma proposta, o que Mário Azevedo (que contactei em novembro) confirma quando, em "Teses, Relatórios e Trabalhos Escolares", na secção “Neologismos e Estrangeirismos a Evitar e a Introduzir", diz que “O critério último da adequação dum novo termo proposto para expressar um novo conceito reside sempre na aceitação da comunidade científica da especialidade.”
      Enquanto essa aceitação não acontecer, as formas validadas para Portugal são "croissant" e croissã.
      Cptos.
      AP

      Eliminar
    2. Nós tb temos uma palavra sobre a questão. E, pelo visto, cabe-nos ensinar e educar a «comunidade científica da especialidade», e signigicar-lhe que devia, por ex., antecipar-se ao estenderete generalizado e exercer uma função pedagógica e até profiláctica.
      Mas, para falar de modo que toda a gente entenda, o português está entregue a desportugueses, - à bicharada.
      - Montexto

      Eliminar
    3. É um ponto de vista que fica registado. Mais do que "croissã" ou "cruassã", incomoda-me a escrita confusa, a pontuação anárquica e tudo o que obscurece o sentido, desvirtuando a comunicação. Quanto às ameaças que poderão estar a ameaçar a língua, o tempo é o grande crivo e tudo depurará...

      Eliminar
    4. Tudo conta. Evidentemente, os piores são os de lesa-sintaxe.
      Antes de me cerrar sobre isto, lembro que o que realmente se lhe devia chamar, na flata de melhor, e se a tal comunidade «científica da especialidade» se antecipasse, não era «croissant», nem «cruassã», nem «croassã», mas simplesmente «crescente»: «Dê-me aí dois crescentes, ó Esteves, e feche a tabacaria.»
      *
      Mas parabéns pelo blogue, caro António Pereira. No ponto a que as coisas chegaram, na «defesa e ilustração» da língua portuguesa todos ainda somos poucos.
      A começar pela defesa dela contra a tal comunidade.
      - Montexto

      Eliminar
    5. Obrigado pelas interações e pelo antepenúltimo parágrafo. Um elogio vindo do Montexto (que já conheço do http://linguagista.blogs.sapo.pt) é um bem precioso... e escasso! Brindemos com um "crescente" bem estaladiço ;)
      AP

      Eliminar
    6. Queria dizer "penúltimo parágrafo".

      Eliminar
  4. Não imaginava haver este tipo de dúvida, tanto assim existe resposta no dicionário, contudo, para mim sempre foi croissant e assim será.

    Bom domingo.

    ResponderEliminar
  5. Dúvidas sempre há, o importante é deixar mais claro - Sempre conheci como brasileiro Brasil "croissant".

    Abraços e ótimo blog.

    ResponderEliminar