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abril 22, 2017

Faz sentido dizer SETORA?


Ao contrário do que se possa pensar, o termo setor/a (com a variante stor/a) não é destituído de sentido. Embora não esteja registada nos dicionários, faz parte da linguagem oral e é uma das palavras mais utilizadas nos meios escolares.

Quanto à formação, “a palavra stora, ou setora, é uma amálgama com origem na forma de tratamento senhora doutora.” (Ciberdúvidas)

Esta é uma boa aplicação prática da máxima de Fernando Pessoa: «A linguagem fez-se para que nos sirvamos dela, não para que a sirvamos a ela.»

Abraço e bom fim de semana, em particular para todos os stores e storas!
ProfAntónio

A propósito do Sporting-Benfica, de onde vem a palavra DÉRBI?


Nota prévia: Como acontece com todas as palavras graves terminadas em i e u (seguidos ou não de s), como é o caso de penálti, júri ou bónus, é obrigatório uso de acento em dérbi, aportuguesamento de derby (a usar entre aspas ou em itálico).
Quanto à origem da palavra, dou a palavra ao imprescindível Ciberdúvidas:
A palavra "derby" – ou dérbi, segundo o aportuguesamento da palavra original inglesa, proposto pelos dicionários Houaiss e da Academia das Ciências de Lisboa – aplica-se ao futebol para determinar um jogo entre duas equipas da mesma cidade. Entre duas equipas da mesma cidade, e não entre duas equipas de cidades diferentes, como por erro se lê e ouve por aí...
Embora existam várias teorias, a que reúne maior consenso situa a origem na cidade inglesa de Ashbourne, no Derbyshire, onde desde a Idade Média se disputa na Terça-Feira Gorda e na Quarta-Feira de Cinzas (Carnaval) um jogo que envolve toda a população, dividida em representação das duas margens do rio Henmore.
O jogo consiste em conduzir uma bola (ou algo parecido) até às balizas, situadas em cada extremidade da povoação, a cerca de três milhas uma da outra...
Este é o único dos muitos "derbies" carnavalescos da Idade Média, em que valia tudo e acabavam invariavelmente em gigantescas zaragatas, que resistiu até hoje.
O “Royal Shrovetide Match” é o grande cartaz turístico anual de Ashbourne: o pontapé de saída é dado às 2 horas daqueles dois dias, junto ao supermercado no centro da cidade.

Abraço e venha o dérbi mais logo.
ProfAntónio
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abril 19, 2017

“Hat-trick” de Cristiano Ronaldo arrasa alemães! Mas o que é isso do “hat-trick”?


A locução “hat-trick” (com a variante “hat trick”), é muito utilizada no futebol. Não havendo uma tradução satisfatória, deveria estar registada nos dicionários como estrangeirismo. No entanto, só a encontrei no dicionário Priberam: “Conjunto de três golos marcados no mesmo jogo por um jogador.
Quanto à origem, são várias as hipóteses.
No desporto, o “hat-trick” surge pela primeira no críquete, em 1879, designando três “wickets” consecutivos. O “wicket” corresponde a grupo de três paus verticais unidos por barras horizontais chamadas “bails”, defendido pelo batedor. Se um defesa conseguir acertar num desses paus, o batedor é eliminado. Cada vez que um pau é derrubado, o defesa faz um “wicket”. Três “wickets” correspondem a um “hat-trick”. Ou seja, o que está associado hoje aos avançados começou por ser uma estratégia dos defesas.
A partir dos primeiros anos do século XX, a expressão alargou-se a outros desportos, nomeadamente ao hóquei no gelo no Canadá, havendo um registo de 1941. Parece que quando um jogador marcava três golos no mesmo jogo, os espectadores comemoravam o feito tirando os chapéus e atirando-os para a pista de gelo.
No entanto, o mais provável é que a origem do “hat-trick” esteja, antes da entrada no desporto, em meados do século XIX, no truque (“trick”) do mágico a tirar objetos de dentro do chapéu (“hat”). 
Como se chega do chapéu do mágico de 1860 a CR7 não sei, mas é inegável que magia nos pés não lhe falta e tira coelhos da cartola quando menos se espera...

Abraço para todos, mas em especial para a magia do nosso Cristiano Ronaldo!
ProfAntónio
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abril 18, 2017

"Louvemos o Senhor" ou "Louvemos ao Senhor"?


Mais um caso a provar que a língua portuguesa não é pera doce.
Para a questão de hoje, o site https://www.flip.pt/Duvidas-Linguisticas dá-nos a resposta:
“O verbo louvar, no sentido de “enaltecer”, é habitualmente usado como transitivo directo, isto é, selecciona geralmente um complemento que não é regido por preposição (ex.: louvemos o Senhor), mas pode também ser usado com o complemento directo introduzido pela preposição a (ex.: louvemos ao Senhor), pelo que ambas as frases (...) são consideradas correctas.”

Abraço a todos.

ProfAntónio

abril 17, 2017

Informo V.Ex.ª QUE ou DE QUE?

Mais um caso a pedir a máxima atenção no momento de escrever (ou falar). Esta resposta do Ciberdúvidas, de 1997, estabelece uma regra fácil de seguir.
Dizemos informar alguém «de alguma coisa», «acerca de alguma coisa», «a respeito de alguma coisa».
Sempre a preposição de, quando dizemos a entidade que informamos e aquilo de que a informamos. Sendo assim, o correcto é:
a) Informo V.Ex.ª de que hoje falto ao serviço.
V. Ex.ª é o complemento directo de informo.
De que hoje falto ao serviço é o complemento circunstancial de assunto de informo. É uma oração integrante.
Quando a frase não menciona a entidade a quem informamos, não se emprega a preposição de, porque a oração integrante passa a desempenhar a função de complemento directo:
b) Informo que hoje falto ao serviço.

CONCLUSÃO:
Se a entidade que informamos:
1. está referida, diz-se “informo de que”: 
                     INFORMO V.EX.ª DE QUE VOU FALTAR.
2. não está referida, diz-se “informo que”: 
                     INFORMO QUE VOU FALTAR.

Informo que desejo a todos uma boa semana!
ProfAntónio

abril 16, 2017

Estamos na época PASCAL ou PASCOAL?


Como a história das vidas de cada um de nós, a das línguas também tem os seus quês. Numa reação a quente, diremos, sem hesitar, que PASCAL é a resposta certa e que teremos de deixar o PASCOAL como nome de alguém ou de algo, como o famoso bacalhau…
No entanto, uma resposta dada no Ciberdúvidas reorienta-nos o raciocínio:
é indiferente: pascal e pascoal são sinónimos. Ambos querem dizer «da Páscoa ou referente a ela». O facto de estarmos habituados a ouvir uma forma em nada invalida o emprego de uma outra que lhe seja sinónima. Na verdade, e de acordo com José Pedro Machado, no seu Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, será mesmo o termo pascoal a estar mais próximo da origem latina, presumindo que pascal seja sua variante.
As situações em que não é indiferente escolher um termo ou o outro são aquelas em que pascal significa, em física, «unidade de pressão no sistema internacional, equivalente a dez bárias», ou, em informática, «linguagem de alto nível criada especialmente para o ensino da programação, sendo também adequada para aplicações comerciais», ou, ainda, quando é um adjectivo «referente a pasto», conforme nos diz, por exemplo, o Dicionário da Porto Editora.

RESPOSTA:
A época é PASCAL, mas também PASCOAL!
Obs.: Tanto num caso como no outro, sempre com minúscula, uma vez que se trata de adjetivos.

Abraço e boa Páscoa (com maiúscula) para todos!
ProfAP

março 29, 2017

Portugal-Suécia: houve "auto golos", "auto-golos" ou "autogolos"?

Ontem, na Madeira, houve de tudo. Dentro do campo e sobretudo fora dele nas crónicas desportivas: autogolos, auto-golos e ainda… auto golos.


Passo à cobertura desta verdadeira festa da língua portuguesa!

1. O Notícias ao Minuto viu "auto-golos".

2. A Bola registou "autogolos".

3. Já o Tribuna da Madeira relatou "auto golos".

Dirão alguns que a culpa é do Acordo Ortográfico que deu a volta à cabeça dos jornalistas. Até poderia ser, só que, neste caso, a questão tem a ver com o AO45, dado que a regra foi simplificada pelo AO90, mas manteve-se a grafia da palavra em análise.

Mas afinal o que houve ontem no Funchal?
A resposta é inequívoca: houve autogolos!

 A Bola, um dos jornais mais bem escritos, não desiludiu. Quanto aos outros, reguada neles!
REGRAS:
Acordo Ortográfico 1945
Acordo Ortográfico de 1990
Com auto-, há hífen antes de vogal, h, r e s:
auto-estrada,
auto-observação,
auto-hipnose,
auto-retrato,
auto-suficiente
Com auto-, há hífen antes de o* ou h:

autoestrada,
auto-observação,
auto-hipnose,
autorretrato,
autossuficiente
Autogolo!
Autogolo!
*A regra geral do AO90 para a hifenização determina que há hífen antes de h ou quando a letra inicial do segundo elemento é igual à que vem no fim do elemento inicial: anti-ibérico, mega-assembleia, circum-murado, sub-bibliotecário, inter-regional, etc.

Abraço!
ProfAntónio

março 27, 2017

De onde vem a palavra BORBOLETA?

O repouso da guerreira...

Eis um caso em que o borboleteio é mais que muito à volta da origem (controversa) da palavra BORBOLETA.
Para a Infopedia, da Porto Editora, vem latim vulgar papillitta (diminutivo de papilĭo). Já José Pedro Machado, no seu Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, defende que a origem está no termo belbellita, reduplicação de bellus (bonito), com sufixo diminutivo. Na mesma obra, documenta-se o uso da forma berbereta, no século XVI.

E como voa a borboleta noutras línguas?
papallona (catalão), mariposa (castelhano), pinpilinpauxa (basco), papillon (francês), farfalla (italiano), butterfly (inglês), Schmetterling (alemão), baboqka (russo), kelebek (turco), parpar (hebraico), petalouda (grego), kipepeo (suaíli), fluture (romeno), pillangó (húngaro), liblikas (estoniano)...

Abraço.
ProfAntónio

março 25, 2017

São amorzinhos ou amorEzinhos?



Se fosse no singular, não haveria qualquer dúvida: o resultado da soma AMOR+ZINHO só poderia ser amorzinho!
Tratando-se do plural, o caso muda de figura. Uma verdadeira casca de banana linguística onde já escorreguei sem apelo nem agravo:
AMORES – S + ZINHO + S = amorEzinhos!

RESPOSTA:
São amorEzinhos!
Nota: Pela mesma razão, atorEzinhos, leitorEzinhos, favorEzinhos, estuporEzinhos, etc.

Abraço e bom fim de semana!

ProfAntónio
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março 07, 2017

Resplandescente? Não, seria brilho a mais...

A superlua de Azeitão RESPLANDESCE ou RESPLANDECE?

Mais uma vez, temos um caso em que uso correto entra em choque com o que é comum ouvir-se.

RESPOSTA:
A grafia certa é apenas uma: RESPLANDECENTE!

Nota: Talvez a introdução daquele S clandestino se deva ao étimo da palavra com origem no latim resplendescente (particípio presente de resplendescĕre, «brilhar; resplandecer»).

Abraço.
ProfAP

março 06, 2017

“ter a certeza que” OU “ter a certeza de que”?

E marcou mesmo! Estás perdoado, Eder...

 “A forma mais correta é a certeza de que:
    Ter a certeza de que aconteceu alguma coisa.
Expressões como ter a noção, ter a ideia, ter a certeza, etc. requerem a preposição de, como se pode verificar nos casos em que as expressões não são seguidas de uma outra oração mas antes de um nome, em que é impossível retirar a preposição de:
    Tenho a certeza de muita coisa.
Fonte: Infopédia.

Abraço.
ProfAP

fevereiro 28, 2017

Poemas de amor 1



APENAS UM SONETO

O delicado desejo que te doura
e nos dura na pele quando anoitece
é contra a nossa vida que se tece
e é no verso que vive e se demora.

Amor que não tivemos nem nos teve
veio-nos chamar agora. De repente
fez-se névoa a palavra do presente
e luz teu corpo que toquei de leve.

Mas se arde na memória da canção
o corpo que me deste e me fugiste,
o verso é outro modo de traição

por que minto ao que tu nunca mentiste.
E enganamos assim o coração,
disfarçando de mitos o que existe.

Luis Filipe Castro Mendes (in “366 poemas que falam de amor”, antologia organizada por Vasco da Graça Moura.

Com amor,
ProfAP

fevereiro 19, 2017

Deve dizer-se “à última hora” ou “à última DA hora”?


Se o leitor tiver a intuição (infeliz) de consultar o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, ficará com a ideia de que tanto se pode dizer e escrever à última hora como à última da hora, uma vez que ambas as construções lá estão registadas...
No entanto, considerando que parece ter sido feito à pressa e com opções muito discutíveis, como no caso de hoje, este dicionário (publicado em 2001, em dois volumes) está londe de ser uma fonte fiável.

Como vamos ver, a conclusão é bem diferente!

CONCLUSÃO:
Devemos dizer à ultima hora!
Esta locução adverbial foi inicialmente adotada para designar um serviço de receção de objetos postais.

"Última da hora" não tem sentido: última quê? Se se dissesse «último», ainda podíamos depreender que estava ali subentendido um minuto, um segundo, um instante (ao último instante da hora...). (In Ciberdúvidas)
Fontes: Infopédia, Flip e Ciberdúvidas.

Abraço.
ProfAntónio

fevereiro 15, 2017

O que é um POTAMÓNIMO?

Geba é o potamónimo do maior rio da Guiné-Bissau.

Aparentemente complicada, depois de desmontada, a palavra revela os seus segredos:
Do grego potamós, «rio» + ónyma, «nome».

É isso mesmo, um potamónimo é uma palavra que designa os nomes próprios dos rios: Tejo, Danúbio, Geba, Nilo, etc.
Nota: A palavra hipopótamo tem uma origem parcialmente comum: entra na língua portuguesa pelo latim hippopotamu, mas tem origem no grego hippopótamos, «cavalo de rio» (hippo, “cavalo” + pótamos, “rio”).

Abraço.

ProfAntónio

fevereiro 14, 2017

De onde vem a palavra NAMORO?

Lado a lado, projetados na estrada da vida...

Comemora-se hoje o dia dos namorados, tradição eminentemente comercial e relativamente recente em Portugal.
De qualquer modo, o NAMORO merece ser celebrado. Mas de onde vem a palavra?

Munamo-nos de alguma paciência para uma viagem no tempo em várias etapas.
1. NAMORO resulta da derivação regressiva de NAMORAR, fenómeno que ocorre quando uma palavra é formada não por acréscimo, mas por redução. Outros exemplos: beijar – beijo; apostar – aposta.
2. NAMORAR vem de ENAMORAR, com aférese (fenómeno fonético que consiste na supressão de um fonema ou de uma sílaba no princípio de uma palavra). Outros exemplos: estou – tou; estamos – tamos.
3.ENAMORAR resulta da relação intensa entre um prefixo (en), um sufixo (ar) e o AMOR: en+AMOR+ar.
4. Quanto ao AMOR, não pode negar de onde vem: do latim… AMOR!

Comemoremos, hoje e sempre, o AMOR em todas as suas formas!
Abraço.
ProfAntónio


Dá-me a tua mão


Dá-me a tua mão. 

Deixa que a minha solidão 
prolongue mais a tua 
— para aqui os dois de mãos dadas 
nas noites estreladas, 
a ver os fantasmas a dançar na lua. 

Dá-me a tua mão, companheira, 
até o Abismo da Ternura Derradeira. 


José Gomes Ferreira, in “Poeta Militante I” 

fevereiro 06, 2017

Quantas designações há para os habitantes da Guiné-Bissau? E de Bissau?

Mercado do Bandim, em Bissau (agosto de 2016).

Os instrumentos disponíveis para esclarecer dúvidas em relação aos gentílicos (nomes que designam os naturais ou habitantes de um lugar) em língua portuguesa não abundam e nem sempre são esclarecedores. 
As conclusões do artigo de hoje resultam da conjugação do que dizem vários dicionários (Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, Grande Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, Dicionário Verbo da Língua Portuguesa e Grande Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora).

1. Habitante da Guiné-Bissau
A par de guineense, o termo que habitualmente utilizamos, também podemos dizer guinéu. Estes dois gentílicos também se aplicam aos habitantes da Guiné- Conacri e da Guiné Equatorial.
Seguindo de perto a designação em inglês (“Bissau-Guinean”), há quem proponha que se diga em português também "bissau-guineense". No entanto, a designação ainda não é reconhecida como uma opção.
2. Habitante de Bissau
Há duas palavras registadas nos dicionários: bissauense e bissanense (designação menos conhecida).
 Fonte: Ciberdúvidas.

Abraço para todos, mas em especial para a Guiné-Bissau!
ProfAntónio

fevereiro 04, 2017

Qual o símbolo de metro: m, m., mt. ou mtr.?


Um símbolo é um sinal convencional e invariável, forma encurtada de uma palavra com valor geralmente internacional, utilizada para facilitar e universalizar a escrita.
O problema é que, muitas vezes, se facilita e o que deveria um uso criterioso transforma-se em asneira criativa…
Em relação ao caso de hoje, embora encontremos todas as variantes (m, m, e mt. e mtr.), apenas uma está correta.

RESPOSTA:
O símbolo de metro é, sem outra alternativa, m!
Notas:
1. Os símbolos não admitem plural. Logo: 1 m, 2 m, 100 m.
2. De acordo com o Sistema Internacional de Unidades, «Os símbolos das unidades devem ser colocados após o valor numérico completo das grandezas correspondentes, deixando espaço entre o valor numérico e o símbolo da unidade»: 5 m, 15 s, 250 g, etc.
Exceções a esta regra: as representações gráficas de grau (68º), minuto (45) e segundo (30’’).

Abraço

ProfAntónio
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Como se escreve: MAIS VALIA ou MAIS-VALIA?


A propósito da designação do Projeto Mais Valia, da Fundação Calouste Gulbenkian (que se constituiu recentemente na Associação “Ser Mais Valia”), de cuja bolsa de voluntários faço parte, perguntaram-me se a grafia não deveria ser “Ser Mais-Valia”.
A resposta seria sim, seguindo as regras gerais que regem a ortografia, mas também é não, atendendo às disposições especiais que os normativos da língua também estabelecem.

São possíveis as duas grafias, mas os sentidos são bem diferentes.
1. MAIS VALIA
Expressão composta por advérbio (MAIS) e por uma forma verbal do verbo valer (VALIA). Significa “era melhor”.
Mais valia estares calado!
2. MAIS-VALIA
É um nome (substantivo na antiga terminologia) que significa “benefício, vantagem”.
Estares calado seria uma mais-valia para todos!
Nota: Também pode ter os sentidos de "excedente das receitas sobre as despesas" ou "aumento do valor de um bem ou de um direito apreciado em dois momentos diferentes".
 Fontes: Dicionários Infopédia e Priberam.

NO ENTANTO:
O AO90, tal como o AO45, contém uma cláusula de salvaguarda, na BASE XXI, que estabelece que “pode manter-se a grafia original de quaisquer firmas comerciais, nomes de sociedades, marcas e títulos que estejam inscritos em registo público.
Ou seja, a norma ortográfica concede liberdade às instituições para adotarem o nome que entenderem. O mesmo acontece com os nomes de pessoas, apenas subordinados às limitações impostas pelo Registo Civil. Daí que convivam pacificamente grafias “fora de uso” com outras mais atualizadas: Luís e Luiz, Queirós e Queiroz, Athaide e Ataíde, Morais e Moraes, etc.

CONCLUSÃO:
A associação “Ser Mais Valia” 
(sem hífen, embora pudesse tê-lo)
é, garantidamente,
uma mais-valia!
(sempre com hífen)

Para saber sobre a "minha" associação, é só entrar em http://sermaisvalia.org.
Lá, encontrará uma radiografia detalhada da instituição e, logo no início, um vídeo de apresentação com testemunhos de voluntários e imagens de algumas das múltiplas missões já realizadas em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Ilha do Príncipe. Estou lá com os meus alunos em São Tomé (março/abril de 2014) e na Guiné-Bissau (agosto/setembro de 2016).

Abraço.
ProfAntónio

fevereiro 03, 2017

Como escrever: 1000, 1 000 ou 1.000?

Não raramente, vemos 1000, 1 000, 1.000 ou até 1,000. Como vamos ver, apenas uma das formas está certa. Eis as regras, ponto por ponto:
1. Os números costumam dividir-se em grupos de três algarismos, separados por um espaço, e não por qualquer pontuação. Exemplo: «Assistiram ao jogo 109 456 espectadores.»
2. Esqueça o ponto (que se usa nos países anglófonos, por exemplo); a única pontuação que se pode empregar na numeração é a vírgula, para separar a parte inteira da parte decimal. Ex.: «Ele tem 1,97 m de altura.»
3. Os citados grupos de três algarismos contam-se a partir das unidades, tanto para a esquerda como para a direita da vírgula: 78 890,322 14.
4. No entanto, em números constituídos por apenas quatro algarismos, não se usa espaço. É por essa razão que vemos «Euro 2004», «25 de Abril de 1974» e «2500 pessoas».
Fonte: Norma Portuguesa n.º 9 (escrita dos números), de 2006, do Instituto Português da Qualidade, através do Ciberdúvidas.

RESPOSTA:
Deve escrever-se 1000, por ter apenas quatro algarismos.
Nota: Com cinco ou mais algarismos, usa-se espaço: 10 000, 100 000, 1 000 000, etc.

Abraço.
ProfAntónio

fevereiro 02, 2017

HÁ ou À? O teste das 3 perguntas que não falha!

À tardinha,  chuva a cair de mansinho na horta..

A indecisão entre e À, no momento de escrever, é um clássico da língua portuguesa não alterado pela recente reforma ortográfica.
Acha que não tem dúvidas neste domínio? Se quiser testar os seus conhecimentos, vá buscar um papel e registe as suas respostas ao diagnóstico abaixo apresentado. Mas deve responder antes de ler a explicação.

Diagnóstico: Preencha os espaços numerados com ou À.
A. Ela escreve nesse jornal ____(1) muito tempo!
B. Andam ____(2) chuva ____(3) mais de uma hora…
C. ____ (4) que aprender com o que não fazemos bem.
D. No desporto como na vida, ____ (5) vitórias e ____ (6) derrotas!
E. ____ (7) livros ansiosos por partilharem as suas histórias consigo!
F. ____ (8) no Carvalhal um belo restaurante: o “Aqui ____ (9) Peixe!”
G. É importante chegar ____ (10) hora certa.
H. O acidente deu-se ____ (11) dois minutos.
I. ____ (12) pessoas a dizer que ____ (13) menos violência na sociedade.
J. ____ (14) que tempos não te via!
K. ____ (15) que manter a esperança no futuro.
M. ____ (16) sua maneira, eles sempre deram muito apoio____ (17) sobrinha.
N. Ela foi ____ (18) missa e só deve voltar ____ (19) tarde.
O. Não o vejo uma ____ (20) eternidade.

Este é um teste fiável que permite escolher, com uma confortável margem de segurança, entre HÁ e À.
Aqui fica a proposta. Pode não ser a coisa mais simples do mundo, mas é eficaz!

TESTE DO SIM ou NÃO
Com um SIM (basta um!), opte por ./ Com três respostas NÃO, não tenha dúvidas: À!
PERGUNTAS
SIM
NÃO
1. É substituível por EXISTEM?


2. É sinónimo de FAZ?


3. Inicia uma frase, estando a seguir a palavra QUE?



Apliquemos o teste ao diagnóstico. Compare as soluções com as respostas que deu.
A. Ela escreve nesse jornal (1) muito tempo!  1. Não/Sim/Não
B. Andam À (2) chuva (3) mais de uma hora…  2. Não/Não/Não  3 . Não/Sim/Não
C. que aprender com o que não fazemos bem.  4 . Não/Não/Sim
D. No desporto como na vida, (5) vitórias e (6) derrotas!   5. Sim/Não/Não                        6. Sim/Não/Não
E. (7) livros ansiosos por partilharem as suas histórias consigo!  7. Sim/Não/Não 
F. (8) no Carvalhal um belo restaurante: o “Aqui (9) Peixe!”     8. Sim/Não/Não                9. Sim/Não/Não
G. É importante chegar À (10) hora certa.  10. Não/Não/Não  
H. O acidente deu-se (11) dois minutos.  11 . Não/Sim/Não
I.  (12) pessoas a dizer que  (13) menos violência na sociedade.    12. Sim/Não/Não  13. Sim/Não/Não
J.  (14) que tempos não te via!  14 . Não/Não/Sim
K. (15) que manter a esperança no futuro.  15 . Não/Não/Sim
M. À (16) sua maneira, eles sempre deram muito apoio À (17) sobrinha.  16. Não/Não/Não  17. Não/Não/Não  
N. Ela foi À (18) missa e só deve voltar À (19) tarde.  18. Não/Não/Não  19. Não/Não/Não  
O. Não o vejo uma (20) eternidade. 20. Não/Sim/Não

Autoclassifique o seu desempenho, de acordo com o número de respostas certas:
20- Brilhante 19- Excelente  17/18- Muito Bom
16- Bom c/ distinção 14/15- Bom
13- Suficiente +
10 a 12- Suficiente
Menos de 10- Prà revisão, já!

Sobre este assunto, há muitas sugestões, sobretudo na internet. Já a seguir, deixo-vos as principais, cada uma seguida de um pequeno comentário.

Abraço
ProfAP

Regras e dicas sugeridas por diversas fontes (escritas e online)
1. A explicação escolar para o assunto é dizer que é a forma conjugada do verbo haver na 3.ª pessoa do singular do presente do indicativo e à é a contração da preposição a com o artigo definido feminino a (a + a = à).
Comentário: A explicação é demasiado técnica e pouco prática para tomar uma rápida decisão.

2. Em relações às dicas, eis as mais sugeridas.
2.1. Devemos usar há quando é substituível por existe ou existem: “Há (=existem) vários de poluição.”
Comentário: É uma boa dica, mas tem um calcanhar de Aquiles: Não funciona com os espaços 4, 14, e 15 e funciona mal com os espaços 1, 3, 11 e 20 do diagnóstico. Ou seja, tem uma margem de erro superior a 30%.

2.2. Sugestões do Ciberdúvidas:
a) Altere a frase substituindo a palavra que se segue a "à" por outra de género e número diferente. Se o puder fazer, e tiver que alterar a forma à, contraindo a preposição com outro artigo definido, é sinal de que se trata da contração da preposição com o artigo:
Ex.: Vou à praia. (a + a) / Vou ao jardim. (a + o) / Vou às compras. (a + as) / Vou aos saldos. (a + os).
Comentário: A dica é bastante eficaz, mas falha em frases que envolvam a noção de tempo (como o espaço 19). Por outro lado, a explicação é talvez um pouco “pesada”, o que a torna pouco prática.

b) Veja se pode substituir esse à por "a uma". Se o puder fazer e a frase ficar correta, é porque se trata da contração da preposição.
Ex.: Fui à loja. / Fui a uma loja. - Respondi à menina. / Respondi a uma menina. - Ela fugiu à pergunta. / Ela fugiu a uma pergunta.
Comentário: Não resulta nos espaços 2 e 19 e também é pouco prática.

c) Essa contração da preposição "a" com o artigo definido no feminino singular "a" (= à) tem de anteceder sempre uma palavra no feminino singular.
Comentário: Dica interessante, mas se for aplicada “a seco” poderá levar a equívocos em situações de uso de há antes de palavras no feminino (como, por exemplo, em “ vida para além do orçamento!”)

d) Um processo simples para verificar se se trata do verbo haver: tente substituir essa forma verbal por outra do mesmo verbo, mas em tempo diferente.
   Ex.: Hoje há aulas. / Ontem houve aulas. /Amanhã haverá aulas.
Comentário: Também não funciona em todas as situações.

e) Com expressões de tempo, trata-se do verbo haver.
Comentário: Dica muito elevada margem de erro. Em frases com “à” a noção de tempo também pode estar presente (espaços 10 e 19).
2.3. Alguns blogues, sobretudo do Brasil, sugerem outra dica: usar quando é sinónimo de faz.
Exemplos: Sou mãe há (=faz) 15 anos. / Há (=faz) bastante tempo que não te via.
Comentário: A regra é simples e é útil em casos como os dos espaços 1 e 3, mas, como acontece com a dica do “sinónimo de existe”, não permite dar resposta para os espaços 4, 14 e 15.