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janeiro 09, 2014

O Cogumelo do Tempo tem mesmo um efeito "anti-envelhecimento"?

Anti-envelhecimento? Hum...

O “Cogumelo do Tempo” bombardeia-nos diariamente com publicidade teleguiada para um alvo cirúrgico: os mais idosos. O dito cogumelo “previne o avc”. E se restarem dúvidas, lá está “a famosa Noz Pecan da Amazónia para a prevencao das doenças degenerativas”. Até arrepia!
Não sendo fã da fórmula mágica, não posso, como o Roberto Leal, dizer-vos que a coisa resulta ou se há ou não uma “prevencão” das doenças degenerativas.
Mas (por algum efeito alucinogénico?) o “Cogumelo” não faz bem à língua portuguesa!
Na caixa do produto, a prova salta à vista:
Com Pecan D’Amazónia + Q10
Anti-Envelhecimento

Esquecendo a maiúscula em “Envelhecimento” e o chique do apóstrofo em “D’Amazónia”, centremo-nos no hífen. Dirá o leitor menos informado que o “Cogumelo” se limita a escrever em “português português” (como agora se diz em relação à norma de 1945). Será?
 
É melhor ver o que o AO45 diz sobre o assunto:
Emprega-se o hífen” em “compostos formados com os prefixos anti, arqui e semi, quando o segundo elemento tem vida à parte e começa por h, i, r ou s”. Base XXVIII, 3º.
No caso em apreço, embora “envelhecimento” tenha vida própria, começa pela letra… e! As regras de há quase setenta anos abençoaram a união: antienvelhecimento!

Quanto ao AO90, em geral, só há hífen quando o segundo elemento começa por h ou por letra igual àquela em que termina o prefixo (efeito espelho). Logo, os nossos pombinhos continuam bem juntinhos: antienvelhecimento!

Conclusões:
1. O Cogumelo do Tempo não tem efeito anti-envelhecimento!
2. Quanto a ser antienvelhecimento, venham as provas…

Em vez de “Cogumelos do Tempo”, sugiro-vos “Tempo para os Cogumelos”. Sobretudo estes, que são deliciosos:
Cortados em lâminas e levados ao lume numa frigideira antiaderente com azeite, alho feito em papa, uma pitada de sal e pimenta preta moída no momento (durante 5 minutos). Juntar coentros picados e deixar apurar mais um minuto!

Bon appétit!
AP
Imagem encontrada AQUI.

janeiro 07, 2014

fecho-eclair, fecho-ecler ou zíp(er)?


Não imaginava que um simples fecho me ia dar tanto trabalho! É caso para dizer que o fecho quase encravou...
É significativa a diferença entre nós e o Brasil. Enquanto lá, temos uns unânimes zíper/zipe e um fecho-ecler que o VOLP da Academia Brasileira não regista, cá, o Portal da Língua Portuguesa dá-nos fecho-eclair (que o dicionário Priberam desconhece) e fecho-ecler. Ao contrário de outras fontes, que restringem o termo ao uso no Brasil, o dicionário Priberam apresenta zíper sem qualquer observação.

CONCLUSÕES:
PORTUGAL
BRASIL
fecho-eclair (pl. fechos-eclair)
e
fecho-ecler (fechos-ecler)
zíper (zíperes), zipe (zipes)
e
fecho-ecler (fechos-ecler)
Nota: Pode sempre optar por fecho de correr (tanto em Portugal como no Brasil).

Abraço.
AP

janeiro 06, 2014

De onde vem o nome do mês de JANEIRO?


Os nomes dos meses vêm do tempo dos romanos.

Janeiro tem este nome por ser consagrado a Jano, divindade masculina da mitologia romana, muito popular entre os romanos: no antigo ritual, o seu nome era invocado antes do de Júpiter. Era o deus do céu luminoso, o deus das origens e princípio de toda a existência; era ele que abria e fechava a luz do céu. Janeiro era o décimo primeiro mês do primitivo calendário romano.
Nota 1: Jano era considerado o deus dos começos, o que faz todo o sentido.
Nota 2: JANEIRO teve origem no latim: januariu.

Um janeiro feliz para todos!
AP
Imagem encontrada AQUI.

janeiro 05, 2014

Há uma vagina na origem da palavra PORCELANA?

Porcelana portuguesa

Como pode verificar num qualquer dicionário, a palavra vem do italiano porcellana.
"Afinal, onde está a vagina?", perguntará, já impaciente, o leitor... Vamos já à explicação!
Em italiano, porcellana é uma palavra derivada de porcella (que quer dizer “porca jovem”) e designa uma espécie de concha, tendo esse nome porque a sua forma faz lembrar uma vulva de porca!
Por mais fina que seja, toda a porcelana tem uma porca na sua história…
José Pedro Machado, no Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, confirma que inicialmente o italiano porcellana designava um "molusco de concha branca e brilhante", tendo sido posteriormente aplicado à porcelana "por se assemelhar àquele animal e por se julgar que a louça se obtinha com aquela concha pulverizada". Refere ainda o termo porcella (provavelmente vindo do veneziano porzela) e a relação estabelecida entre a fenda da concha do molusco e a vagina do animal (a porca).
A
braços.
AP
Imagem encontrada AQUI.

Qual o plural de mel: meles ou méis?

Os meus méis preferidos: à esquerda, de urze (de Góis, Coimbra); à direita, de eucalipto (de Montemor-o-Novo, Évora).

E o plural de mel é…
meles e méis

Numa resposta dada no Ciberdúvidas em 2003, é dada uma explicação histórica para este facto:
No Latim, língua a partir da qual nasceu o Português, para formar o plural das palavras acabadas em vogal, acrescentava-se um -s, como ainda hoje se faz; e acrescentava-se -es para formar o plural das palavras que acabavam em consoante. Assim, de acordo com esta regra latina, o plural de mel é meles (mel + es), tal como acontece com a palavra mal, que no plural é males. Durante a evolução do Português, registaram-se muitas modificações nas regras gramaticais. Uma dessas modificações, que ainda hoje se mantém, foi, precisamente, a formação dos plurais em palavras acabadas em -al, -el, -ol e -ul. Segundo esta regra, retira-se o -l que está no fim da palavra e acrescenta-se -is. Por isso, méis, também pode ser o plural de mel (mel-> mé + is). As palavras pardal (pardais); papel (papéis); farol (faróis) e azul (azuis) são exemplos da formação do plural com esta regra. Mas atenção, a palavra mel é, de todas as palavras aqui apresentadas, a única que pode ter dois plurais; é uma excepção na Língua Portuguesa, a formação do plural na grande maioria dos substantivos acabados em -l faz-se aplicando apenas a regra ‘nova’.

Mais algumas palavras terminadas em –l que admitem dois plurais:
gel (géis e geles), aval (avais e avales), cal (cais e cales), til(tis e tiles).

Desejo a todos muito mel e outras doçuras da vida!
AP

janeiro 04, 2014

De onde vem o BUSÍLIS?

O termo, que encontramos em documentos portugueses do séc. XVII, terá vindo do italiano busillis («dificuldade»), onde está documentado desde o século XIV.

E como chegou ao italiano?
Várias fontes, incluindo o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, contam uma história curiosa, variando nos pormenores, associando a origem da palavra à expressão latina: in diebus illis (naqueles dias):
Consta que um certo frade do convento de Cristo em Tomar, Portugal, ao encontrar, no fim da última página do breviário, in die, traduziu por Índia e embatucou quando virou a página e encontrou bus illis. Assim, ficou bus illis como expressão indecifrável. Daí resultou a palavra busílis como sinónimo de dificuldade extrema, ponto obscuro.” (In http://www.dicionarioinformal.com.br)

Será mesmo assim? Eis o busílis da questão!

Abraço.
AP

janeiro 02, 2014

boas-festas ou boas festas?


Como ponto prévio, fica a informação de que o assunto de hoje nada tem a ver com o AO90.

E como é: boas-festas ou boas festas? Depende…

1. Transcrevo uma explicação excelente do Ciberdúvidas: “Não se emprega hífen quando se deseja que alguém tenha umas festas felizes, ou um Natal agradável, ou um ano novo cheio de prosperidades: «Boa tarde, Ana, boas férias e boas festas!» O que é hifenizado é o nome dessa saudação: «Por esta altura, é normal as pessoas darem as boas-festas». Repare, por exemplo, que não há nenhuma saudação chamada "feliz-natal", nem "bom-ano-novo". Mas já temos os bons-dias, as boas-tardes, as boas-noites e... as boas-festas.
2. No mesmo sentido vai um artigo da jornalista Rita Pimenta, do Público: “Quando se escreve «desejar as boas-festas», grafa-se a palavra com hífen, mas quando se está mesmo a desejá-las já não. O dicionário exemplifica com a saudação de que falou antes: «Boas festas para todos!» Seja.

CONCLUSÕES:
PORTUGAL e BRASIL
boas festas
Quando se dirige o cumprimento a alguém:
Boas festas, Joana!
boas-festas
O nome composto que designa a saudação:
Joana, venho desejar-te as boas-festas!
Nota: sempre com minúscula…

Que as festas continuem boas para todos!
AP
Ilustração de Vítor Gaspar encontrada AQUI.