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agosto 09, 2014

.consta que OU consta-se que?

É muito comum ouvirmos “consta-se que”, sobretudo na linguagem oral. Embora sempre tenha dito e escrito “consta que”, consultei algumas fontes para chegar a uma conclusão acerca da legitimidade daquele “se”.
Escolhi uma das respostas do Ciberdúvidas, de 1997, dada pelo consultor José Neves Henriques:
Na acepção de «é voz corrente», devemos dizer consta: «Consta que…».
O dizer-se consta-se é natural que se deva à influência de diz-se.

CONCLUSÃO:
Deve dizer CONSTA QUE!

Abraço.
AP
P.s.: Talvez o uso de consta-se se deva à confusão com constata-se.
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agosto 01, 2014

.O moral ou A moral?


Podemos associar os dois géneros à palavra moral, mas os sentidos do masculino e do feminino não são equivalentes.
A. Devemos dizer “o moral”:
Para nos referimos ao «estado de espírito, ânimo».
Exemplo: O moral das tropas era muito elevado!

B. Teremos de usar “a moral”:
Para falarmos:
a) Do “conjunto de valores e princípios éticos”.
Exemplo: “A moral e os bons costumes.”
b) Da lição que podemos tirar no final de uma história.
Exemplo: “A moral desta história é que a união faz a força”.

Abraço.
AP
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julho 28, 2014

.triologia OU trilogia?

Um “conjunto de três seres ou objetos da mesma natureza” é uma trilogia (do grego trilogía). Embora tenhamos a palavra trio (do italiano trio) como sinónimo, “triologia” é uma forma não validada pelos dicionários.
Fonte: http://www.infopedia.pt

CONCLUSÕES:
PORTUGAL e BRASIL
trilogia

Abraço.
AP
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julho 27, 2014

.Qual a origem da palavra DIZIMAR?

Embora o sentido mais difundido da palavra seja destruir/exterminar, ela vem do latim decimāre e significava “matar uma pessoa em cada dez”. O verbo vem do nome "dízimo" (do latim decimus, "a décima parte", de decem, "dez").
Em épocas do exército romano, quando uma legião era considerada culpada de covardia ou algum outro ato reprovável, ela era “dizimada”: um em cada dez soldados era escolhido para morrer.

Abraço.
AP

julho 25, 2014

.dispender OU despender?


Dispender” não existe!
Embora venha do latim dispendĕre, devido a uma alteração fonética (dis- para des-), despender é a forma correta e consagrada pela norma.
No entanto, as grafias do nome dispêndio (do latim dispendĭu-) e do adjetivo dispensioso (de dispendiōsu-) respeitam as origens, não tendo havido alteração fonética.

Conclusões:
PORTUGAL e BRASIL
despender
Logo:
despendo, despendi, despenderei, etc.
Mas:
    dispêndio
          dispendioso
                dispendiosidade

É assim a língua portuguesa: linda... mas “traiçoeira"!
Bom fim de semana para todos os lusofalantes.
AP
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julho 22, 2014

.Os deputados portugueses dominam a língua portuguesa?

In "Notícias ao Minuto" (22.07.2014)
 
Não conhecia a deputada Catarina Marcelino. Talvez até já tivesse ouvido nome, mas não sabia quem era a senhora.
Há pouco, ao fazer a triagem dos emails dos últimos dias, deparei com a pérola linguística que está no início do artigo.
Além do três erros de ortografia, há ainda alguns de pontuação. É compreensível que a luta dos Antónios dentro da PS dê um acréscimo de nervos aos deputados da respetiva bancada parlamentar, mas francamente! Não podemos “tulerar” tal desvario.

Sou contra a aplicação de castigos, mas o caso pede que abra uma exceção: reguadas na senhora deputada, já!

julho 18, 2014

.desapercebido OU despercebido?

Há pouco, na TVI24, Maria João Rodrigues foi entrevistada.
Indicada pelos meios de comunicação como um dos nomes candidatos a comissário europeu, não se furtou ao autoelogio despudorado, achando que era justo vir a ocupar o cargo. Sem surpresa, seguiu-se o elogio rasgado e sem reticências a Jean-Claude Juncker, recém-eleito presidente da Comissão Europeia. Finalmente, questionada sobre a qualidade do desempenho de Durão Barroso, deu uma no cravo e outra na ferradura.
É caso para dizer que a nossa Maria João a sabe toda?
Em relação à sua possível “promoção”, sim. Mas não no domínio da língua portuguesa. Referindo-se a algo a que as pessoas em geral não prestaram atenção, usou duas vezes a expressão “passou desapercebido”.
Embora existam ambos os termos (desapercebido e despercebido), o seu sentido é diferente. Eis o que diz o Ciberdúvidas:
Desapercebido, particípio passado de desaperceber (des + aperceber), significa: desprevenido; desguarnecido; desacautelado.
Despercebido, partícipio passado de desperceber (des + perceber), quer dizer: que se não viu nem ouviu; a que se não prestou atenção; desacautelado; que não foi notado.

CONCLUSÃO:
Embora haja uma proximidade de sentidos, os factos passam sempre despercebidos. Quanto a Maria João Rodrigues, foi apanhada desapercebida…

Abraço e bom fim de semana!
AP