Seguidores

janeiro 01, 2014

Qual a origem da palavra AVATAR?


A designação AVATAR foi trazida para a ribalta pela mão da informática, significando uma “representação gráfica de um utilizador numa comunidade virtual”, pensando muitos que se trata de uma palavra inglesa ou recém-criada (neologismo)…
Nem uma coisa nem outra!

A origem está no sânscrito avatára, «descida», pelo francês avatar, «metamorfose».

O termo pode assumir outros sentidos:
1.   Em sentido figurado, uma transformação;
2.  Na religião (hinduísmo), “descida de um ser divino à Terra, em forma materializada”.

A imagem do AVATAR foi criada com o software disponibilizado em www.sp-studio.de

Abraço.
AP

dezembro 31, 2013

.Como dizer: “pólvos” ou “pôlvos”?

 

Considerando que o infeliz cefalópode irá animar o jantar de muita gente nesta noite de transição para 2014, justifica-se a questão de hoje.

Como dizer: “pólvos” ou “pôlvos”?
Resposta inequívoca: “pôlvos”!

Se me perguntarem porquê, não é simples responder e nenhuma resposta será satisfatória…
Para José Neves Henriques (Ciberdúvidas):
1.   Geralmente o plural é em /ô/, quando a palavra tem um feminino também pronunciado /ô/. Exemplos: tolo /ô/, tola /ô/ -> tolos /ô/; roto /ô/, rota /ô/ -> rotos /ô/. No entanto, bolso/ô/, dá bolsos/ô/ no norte e centro de Portugal e bolsos/ó/ no Sul…
2.   Quando os nomes são apenas dum género no singular, o plural é umas vezes em /ô/, outras em /ó/: gota e gotas /ô/, mas povo /ô/ e povos /ó/.
3.   Molho é um caso especial:
a) Molho /ô/, qualquer preparação culinária líquida ou cremosa que acompanha diversos alimentos para lhe avivar o sabor. É palavra derivada de molhar. Cautela: o plural é molhos /ô/.
b) Molho /ó/, pequeno feixe; braçado, paveia. É palavra derivada do latim manipulu(m), feixe, molho. Cautela: o plural é molhos /ó/.

Infelizmente, embora esteja previsto que o Portal da Língua Portuguesa venha a fazê-lo, ainda não há informação fonética disponível online. Embora não seja suficiente para esclarecer todas as dúvidas, partilho as listas que Celso Cunha e Lindley Cinta apresentam na Nova Gramática do Português Contemporâneo (1995, pág. 184):
A.    Alguns nomes pronunciados com o fechado /ô/ no plural:
B.     Alguns nomes pronunciados com o aberto /ó/ no plural:
Acordo, adorno, bojo, bolo, cachorro, coco, colmo, consolo, dorso, encosto, engodo, estojo, ferrolho, globo, golfo, gosto, lobo, logro, moço, molho, morro, mosto, namoro, piloto, piolho, poldro, polvo, potro, reboco, repolho, restolho, rolo, rosto, sopro, suborno, topo.
Abrolho, caroço, contorno, corcovo, coro, corno, corpo, corvo, despojo, destroço, escolho, esforço, estorvo, fogo, forno, foro, fosso, imposto, jogo, miolo, olho, osso, ovo, poço, porco, porto, posto, povo, reforço, renovo, rogo, sobrolho, socorro, tijolo, toco, tojo, tordo, torno, troco, troço.

É o que se pode arranjar, amigo internauta!
Com sorte, pode ser que a sua dúvida coincida com uma das palavras das listas. Se não coincidir, partilhe a dúvida na caixa de comentários e talvez eu possa ajudar.

Abraço.
AP

dezembro 26, 2013

.pastel ou pastél?

Pois é, a TVI meteu água hoje no Jornal da Noite e adulterou um dos ex-libris de Torres Vedras...
 
 
O AO90 não introduziu alterações na acentuação das palavras oxítonas. Por isso,
Escrevíamos e vamos continuar a escrever pastel!
No entanto, pastéis leva acento, como acontece com todas as palavras oxítonas terminadas no ditongo aberto –éi, seguido ou não de s.
 
 
Lista exaustiva das palavras oxítonas (agudas) que devemos acentuar:
Com acento agudo:
1. As terminadas nas vogais tónicas abertas -a, -e ou -o, seguidas ou não de -s: está, já; até, é, pontapé(s); avó(s), dominó(s), paletó(s), só(s).
2. As formas verbais que, conjugadas com os pronomes clíticos lo(s) ou la(s), ficam a terminar na vogal tónica aberta -a: adorá-lo(s), dá-la(s), fá-lo(s), fá-lo(s)-ás, habitá-la(s)-iam, etc.
3. As que, tendo mais de uma sílaba, terminam no ditongo nasal -em (exceto as formas da 3.ª pessoa do plural do presente do indicativo dos compostos de ter e vir: retêm, sustêm; advêm, provêm, etc.) ou -ens: detém, deténs, entretém, harém, haréns, porém, provém, também, parabéns.
4. As terminadas nos ditongos abertos -éi, éu ou ói, seguidos ou não de -s: anéis, papéis; céu(s), chapéu(s), ilhéu(s), véu(s); corrói (de corroer), herói(s), remói (de remoer), sóis.
Com acento circunflexo:
5. As terminadas nas vogais tónicas fechadas -e ou ­o, seguidas ou não de -s: cortês, lê, lês, português, você(s); avô(s), pôs (de pôr), robô(s).
6. As formas verbais que, conjugadas com os pronomes clíticos -lo(s) ou -la(s), ficam a terminar nas vogais tónicas fechadas -e ou -o: detê-lo(s), fazê-la(s), fê-lo(s), vê-la(s), compô-la(s), repô-la(s), pô-la(s).
7. As que têm vogais tónicas grafadas i e u antecedidas de uma vogal com que não formam ditongo e desde de que não constituam sílaba com a eventual consoante seguinte, excetuando o caso de s: aí, atraí (de atrair), baú, caís (de cair), Esaú, Luís, país, etc.
8. O infinitivo pôr, única palavra da língua portuguesa terminada em –r que é acentuada. Todos os seus compostos ficam de "cabecinha ao léu": impor, compor, repor, etc.
Com acento grave:
9. As que resultam da contração da preposição a com as formas femininas do artigo a e as: Vou à (a+a) praia e às (a+as) compras.
Abraço.
AP

dezembro 22, 2013

.De onde vem a palavra BROA?


Este é um caso em que a origem da palavra nada tem a ver com o latim, pois vem de borúna (termo do idioma pré-romano da Hispania),  pelo castelhano borona.
José Pedro Machado, no Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, refere um texto português de 1174, em que o uso de boroa alterna com borona.
Muitas e boas "borúnas" para todos!
AP

dezembro 20, 2013

.Qual a origem da palavra CENOURA?


Seguramente, cenoura vem do árabe vulgar isfanâriya. No entanto, a palavra não entra diretamente na língua portuguesa.
Enquanto a Infopédia apresenta como intermediário o castelhano antigo zahanoria, José Pedro Machado (Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa) admite essa hipótese, mas considera que o processo de evolução da palavra é pouco claro e que “conviria (...) estudar a história deste produto da terra no nosso país.”
Abraço e bom fim de semana!
AP

dezembro 18, 2013

.De onde vem a palavra VERMELHO?

A cochonilha é a personagem principal do artigo de hoje...

Não surpreende que a origem da palavra de hoje esteja no latim vermicŭlu-. Interessante é o facto de o sentido original do termo ser “pequeno verme”, referência à cochonilha (ou cochinilha), inseto parasita de plantas e árvores frutíferas, de que se extraía o carmim (substância corante vermelho-vivo), utilizado em tintas, cosméticos e como aditivo alimentar.

Abraço.
AP

dezembro 17, 2013

.Prova de avaliação dos “profes”: o monstro avança mesmo…

Parece que aquela “coisa” travestida de avaliação válida e fiável se vai mesmo realizar amanhã.
O que é que a prova vai avaliar com relevância para o exercício prático da docência? Nada, absolutamente nada!
Tanto o Provedor de Justiça como a UGT acabaram (ingenuamente?) por validar um monstro sem pés nem cabeça.
O Provedor pediu ao Ministro da Educação para poupar “os professores contratados e mais experientes à prova de avaliação de conhecimentos”, enquanto a UGT cedeu a troco de um acordo que “salva” os docentes com cinco ou mais anos de serviço.
Em ambos os casos, se ignorou o essencial: como se aplica uma prova teórica sem qualquer relação com a prática letiva a pessoas que já exerceram e tiveram uma avaliação do desempenho no terreno? É caso para dizer que de boas intenções está o Inferno cheio…

Notas finais:
1. Que os tribunais decidam que a prova não é ilegal nem “causa danos irreparáveis” não surpreende, uma vez que o que entra pelos olhos dentro é que ela é, acima de tudo, estúpida e inútil. Mas esse é um veredicto que não podemos esperar dos tribunais…
2. Espanta-me o despudor da ex-Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, quando, a cavalgar a onda de contestação, vem dizer que o Governo geriu com "atrapalhação e incompetência" prova dos professores. “Diz o roto ao nu: porque não te vestes tu?”

Um abraço solidário a todos os que amanhã vão ser cobaias do pseudorrigor* de Nuno Crato.
António Pereira

*É estranha a grafia, mas é mesmo assim. BASE XVI do AO90, nº 2 a).