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julho 18, 2013

.dignitário ou dignatário?

Imagem encontrada AQUI.

PORTUGAL
A versão dignatário, usada por um número significativo de falantes (e também por alguns meios de comunicação), resulta da contaminação com dignar e digno/a.
Para nos referirmos à “pessoa que exerce um alto cargo, que tem um título honorífico ou foi investida de uma dignidade” (In Infopédia), só há uma opção: dignitário.

BRASIL
Os dicionários que consultei (Aulete e Houaiss) e o VOLP da Academia Brasileira de Letras apresentam verbetes para ambas as palavras. No Hoauiss pode ler-se que dignatário é o mesmo que dignitário.

CONCLUSÕES:
PORTUGAL
BRASIL
dignitário
dignitário ou dignatário

NOTAS:
1.   A palavra dignitário resulta da adaptação do francês dignitaire e entrou na língua portuguesa no século XIX.
2.   Enquanto o italiano (dignitário) segue a linha do português europeu, o castelhano diverge: dignatario.

Abraço.
António Pereira

15 comentários:

  1. Então é um apalavra de origem francesa. A língua portuguesa, pelos menos aqui no Brasil, adapta rapidamente uma palavra estrangeira de uma forma rápida.

    Abraço.

    Vanderlei.

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    1. Tem razão. No Brasil, as adaptações entram mais rapidamente na língua do que em Portugal, onde os estrangeirismos são em maior número.
      Abraço.
      AP

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  2. Recebi um selinho ''the versatile blogger award'' e decidi colocar o seu blog na lista, veja http://gleicykelly1993.blogspot.com.br/2013/07/the-versatile-blogger-award_21.html

    beijos.

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    1. Parabéns pelo selinho e obrigado pela gentileza em relação ao meu blogue.
      Bjs também pra você.

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  3. «Dignatário» não tem... dignidade de português.
    Que haja mais estrangeirismos do lado de cá do que de lá, para mim é novidade, caro António.
    - Montexto

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    1. Olá, Montexto. É sempre com prazer (embora nem sempre cómodo...) que o recebo nesta humilde cibercasa.
      Quando digo que somos mais abertos aos estrangeirismos, sustento essa opinião nas centenas de consultas comparativas que tenho de fazer para escrever os artigos dos blogues. São inúmeras as situações em que encontramos cá (na Infopédia, Priberam e, embora adotando uma perspetiva restritiva em relação a palavras começadas por st, sp, etc., no VOP do Portal da Língua Portuguesa) o que não há lá (no Aulete, Houaiss, Michaelis e no VOLP da Academia Brasileira de Letras). Alguns exemplos: dossier, stress, abat-jour, anorak, cabaret, cocktail, collants, confetti, dandy, édredon, scanner, snob, stencil...
      Aguardo com expetativa a sua contestação.
      Bom fim de semana!
      António

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  4. Sim, os Brasileiros talvez afeiçoem à índole da língua e assimilem mais depressa as palavras estrangeiras do que nós. Lá há mais vitalidade. Mas tb são muito abertos a estrangeirismos. Estrangeirismos, ao presente, é o mesmo que dizer anglicismos: doravante a língua do rato Mickey vai-as roendo a todas.
    Essa «abertura» claro que hoje é universal, mas lá já vem desde muito. Diz-me um tio que, quando chegou ao Brasil, aí por 50, era Deus no Céu, e o Americano na terra. Manda quem pode.
    - Montexto

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    1. Estou inteiramente de acordo com o que diz e não defendo a ideia de que no Brasil há menos abertura em relação aos estrangeirismos. Há menos abertura, isso sim, em mantê-los como termos importados. No uso da vitalidade que refere, rapidamente os termos estrangeiros são substituídos por adaptações. Por cá, o processo é mais lento e encontramos com frequência o muitas vezes desnecessário culto do estrangeirismo. E não é de agora. Eça, sobretudo em "Os Maias", é um caso interessante.
      Cumprimentos.
      AP

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  5. Justamente: leia a carta de Eça a Fialho por ocasião dos «Mais» a propósito do tema. Encontra-a no blogue de Rentes de Carvalho, «Tempo Contado», há obra de um mês. Basta escrever Eça na busca. Mas já a deve ter lido.
    - Montexto

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    1. Fosse o Eça contemporâneo e teria o Montexto à perna...
      Quanto ao "Tempo Contado", já está na minha lista de leituras.
      Abraço e, sendo caso disso, boas férias.
      Instalado num riad na medina profunda de Marrakech, cada vez que me aventuro no labirinto de ruas, é um desafio para não perder o norte e, simultaneamente, fintar a moirama juvenil que, por todos os meios, tenta, em francês, encaminhar-me para onde não quero com o fito de me aliviar de um punhado de dirhams... Outros, pela fisionomia que os genes maternos me deram, acham que sou do clã e falam-me em árabe e dizem-me coisas (certamente bem apimentadas), apontando na direção da minha mulher, que é mais do tipo nórdico. Exótico e muito animado!

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    2. Acertou no lugar, António. Tb tenciono descer à mourama qualquer dia. Entretanto, vou lendo EM MARROCOS, de Edith Wharton, Europa-América.
      Boas férias.
      - Mont.

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  6. Vim parar a este seu blog, caro António Pereira, por ter escrito "dignitário", dar por mim de repente a pensar se era mesmo a forma correcta e ir ao google, que para aqui me encaminhou. Fartei-me de rir com a troca de mails acima. Vou pôr o seu blog nos meus favoritos. Cumprimentos!

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    1. Olá, Lucinda.
      Abraço e será sempre bem-vinda! ;)

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  7. Caríssimo Antônio, selecionei o link para este blog enquanto buscava uma confirmação decente acerca destes termos "dignitário/dignatário" e estou feliz pelo achado. Recomendá-lo-ei. Obrigada por essas pérolas e pelo valoroso trabalho. Desde o Brasil, te mando abraços!

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    1. Muito obrigado.
      Será sempre bem-vinda a cibercantinho da língua portuguesa! ;)
      Abraço luso.

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