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setembro 08, 2015

Como escrever: GOLF ou GOLFE?

 


GOLF e GOLFE no mesmo espaço: península de Troia.

Uma das áreas mais interessantes da história das línguas é a importação de palavras de outras línguas (estrangeirismos) e as adaptações que fazemos dessas mesmas palavras, fazendo-as nossas. Tão nossas que, muitas vezes, já nem nos apercebemos de que tudo começou como uma importação. Um bom exemplo é restaurante, umas das palavras que mais usamos, que nos chegou do francês restaurant.
No caso de hoje, temos uma convivência pacífica entre uma importação e uma adaptação…

CONCLUSÕES:
PORTUGAL e BRASIL
golfe (termo adaptado à língua portuguesa)
ou
golf (estrangeirismo ou itálico ou entre aspas)

Nota: Estranhamente, o VOLP da Academia Brasileira de Letras, ao contrário dos dicionários Aulete e Michaelis, não regista o termo golfe.

Abraço.

ProfAP

setembro 07, 2015

Plural de ARTESÃO: ARTESÃOS ou ARTESÕES?


Ontem, num programa televisivo, a entrevistadora oscilou algumas vezes na formação do plural de artesão. Ora escolhia “artesãos”, ora optava por “artesões”.
Esta palavra tem um comportamento muito interessante quando viaja para o plural.

1. Se artesão significar “artífice”
Plural:
artesãos
2. Se artesão se referir ao “adorno arquitetónico”
Plural:
artesãos ou artesões

Abraço.

ProfAP

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setembro 06, 2015

pechiché, psiché OU psichê?


1. Pechiché
Tendo vivido a infância e juventude em meios populares, sempre ouvi dizer esta palavra. No entanto, consultando os dicionários, apenas a encontrei na Infopédia.

2. Psiché
Do francês psychè, documentável desde 1812, no sentido de “grande espelho móvel”, do nome de Psiché, rapariga mítica que casou com Eros, pois a mulher vê-se nesse espelho bela como Psique, em fr. Psyché.
In Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado.

3. Psichê
Tanto a Academia Brasileira de Letras como o Portal da Língua Portuguesa registam a variante psichê.

CONCLUSÃO:
PORTUGAL e BRASIL
psiché OU psichê

Abraço.

ProfAP
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agosto 30, 2015

Verbos difíceis de conjugar (6): EXPLODIR



Pode a gramática impedir o EU do presente do indicativo de explodir sempre que lhe apeteça e retirar a todas as pessoas do presente do conjuntivo (subjuntivo no Brasil) a livre expressão do desejo de explodir? Alguns gramáticos acham que sim. Ora, explodir de vez em quando, com peso, conta e medida, até pode ser um ato de higiene mental…

O verbo de hoje é complicado de conjugar e não consensual.
Tradicionalmente, diz-se que explodir é um verbo defetivo que só se conjuga nas formas em que, depois do D, há E ou I. Ou seja, formas como explodo ou exploda não seriam utilizadas. Foi esta a norma seguida até meados do século XX.
No entanto, a partir do momento em que Rebelo Gonçalves incluiu expludo e expluda no seu Vocabulário da Língua Portuguesa (publicado em 1966) formas teóricas, suscetíveis de uso efetivo e não reprovável, passou a ser aceite o seu uso.
Mas as complicações não ficam por aqui:
1. Enquanto o Ciberdúvidas e os dicionários de verbos Infopédia e Priberam consideram que a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo é “eu expludo” o Portal da Língua Portuguesa indica duas possibilidades: “eu expludo” e “eu explodo”.
2. No Brasil:
a) Segundo o Ciberdúvidas, prefere-se explodo, como 1.ª pessoa do singular do presente do indicativo, e exploda, explodas, exploda, explodamos, explodais, explodam, como formas do presente do conjuntivo (embora o Dicionário Houaiss também aceita expludo e expluda);
b) Para o conjugador FLIP o verbo conjuga-se em todas as pessoas e de igual forma em Portugal e Brasil;
c) Os conjugadores de verbos brasileiros disponíveis online continuam a consideram que se trata de um verbo defetivo (no Brasil, escreve-se defectivo), não registando a 1ª pessoa do presente do indicativo nem nenhuma pessoa do presente do conjuntivo (subjuntivo). Por outro, há conjugadores que apresentam o imperativo com cinco pessoas e outros apenas duas (explode tu; explodi vós).
No entanto, o Houaiss e o Aurélio conjugam explodir em todos tempos, modos e pessoas. E parece ser essa a tendência no Brasil como em Portugal.

Verbo EXPLODIR: tempos/modos/pessoas a ter debaixo de olho!
Presente do indicativo
Eu expludo (explodo no Brasil?)
Tu explodes
Ele explode
Nós expludimos
Vós expludis
Eles explodem
Presente do conjuntivo
            (subjuntivo no Brasil)
Que eu expluda (exploda no Brasil?)
         tu expludas (explodas no Brasil?)
        ele expluda (exploda no Brasil?)
   nós expludamos (explodamos no Brasil?)
    vós expludais (explodais no Brasil?)
   eles expludam (explodam no Brasil?)
Imperativo
Explode(tu)/não expludas
Expluda(ele)/não expluda
Expludamos(nós)/não expludamos
Explodi(vós)/não expludais
Expludam(eles)/não expludam
Nota: Em todos os outros tempos/modos o verbo é conjugado de forma regular com o.

Considerando a diversidade de informação e a abertura dos dicionários, parece-me aceitável que o verbo explodir seja conjugado em todos os tempos, modos e pessoas.

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Abraço!

ProfAP

agosto 28, 2015

Verbos difíceis de conjugar (5): INTERVIR


Ao contrário de outros, este não seria teoricamente um verbo difícil de conjugar, pois basta seguir o modelo de conjugação de VIR. O problema é que frequentemente assistimos à interferência do modelo de VER na conjugação de alguns tempos/modos/pessoas.

Verbo INTERVIR: tempos/modos/pessoas a ter debaixo de olho!
Pretérito perfeito do indicativo
Eu intervim
Tu intervieste
Ele interveio
Nós interviemos
Eu interviestes
Eles intervieram
Pretérito imperfeito do indicativo
Eu intervinha
             …
Futuro do conjuntivo

Se eu  intervier
             ...      
Pret. imperfeito do conjuntivo
           
Se eu interviesse
                ….
Gerúndio
intervindo

Nota: conjuntivo = subjuntivo no Brasil.

Abraço!
ProfAP
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agosto 27, 2015

Verbos defetivos (2): Eu amanheço? Eu anoiteço?


No artigo de ontem, trouxe-vos a definição de verbos defetivos. Na lista de exemplos, estavam os verbos AMANHECER e ANOITECER.
Qualquer dicionário de verbos nos mostra que estes verbos só são conjugados  na 3ª pessoa: amanhece, anoiteceu, amanhecia, anoitecera, etc.
No entanto, a linguagem poética-literária rege-se pela norma da liberdade criativa onde nada é impossível. Aí, o “eu” pode amanhecer e o “tu” pode anoitecer…
Aqui fica a sugestão que o leitor Paulo Gurgel deixou na caixa de comentários: um belíssimo texto (“Pensando em ti”) interpretado, em 1957, pelo cantor brasileiro Nelson Gonçalves. Eis como “amanhecer” e “anoitecer” ganham vida na primeira pessoa:
Eu amanheço pensando em ti,
  Eu anoiteço pensando em ti,
  Eu não te esqueço

Abraço cheio de amanheceres!

ProfAP

agosto 26, 2015

VERBOS DEFETIVOS são verbos com defeito?

Lista com exemplos de verbos defetivos.

A explicação clássica é dizer que verbos defetivos (defectivos no Brasil) são aqueles que não se conjugam em todos os modos, tempos e pessoas.
Mas considerando que defetivo vem do latim defectīvu- («defeituoso») e que, segundo a Infopédia, significa “a que falta alguma coisa, defeituoso, imperfeito”, bem poderíamos dizer, com todo o rigor:
Verbo defetivo é verbo com defeito!

Abraço não defetivo para todos!
ProfAP

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