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A pronúncia da letra G é uma questão não consensual que tem
feito correr muita tinta. Na escola primária aprendi a dizer “guê”, enquanto a
minha mulher, noutra escola, aprendeu a pronúncia “gê”. Esta
divergência aplica-se bem a Portugal: uns dizem “guê”, outros preferem “gê”.
Quanto ao Brasil, parece que, à exceção do Nordeste, o habitual é pronunciar-se
“gê”.
E surge a dúvida: há uma pronúncia correta ou ambas são
legítimas?
Eis o que apurei:
1. O Formulário
de 1911 (bem como o de 1943, aplicado no Brasil) e o Acordo de 1945 não se
referem à pronúncia da letra G.
2. O grande Rebelo
Gonçalves, no seu Vocabulário de 1967, registou: "gê”, mas também aceita a
designação “guê”.
3. Se há
dicionários, como o Aulete e o Michaelis (ambos do Brasil), que apenas
admitem a pronúncia “gê”, muitos outros validam “gê” e “guê”: Houaiss e Aurélio, do Brasil; Infopédia
e Priberam (Portugal); Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira e Dicionário da Academia
das Ciências de Lisboa; VOLP da Academia Brasileira de Letras e VOP do Portal
da Língua Portuguesa.
4. Finalmente,
também os consultores do Ciberdúvidas admitem as duas formas de pronunciar. É o
caso de Regina Rocha, que acrescenta: “A sua primeira designação é a de guê, correspondente à pronúncia clássica latina”.
Perante
o exposto, parece-me razoável concluir que:
É indiferente dizer «guê» ou «gê»...
Ambas as pronúncias estão corretas!
Ambas as pronúncias estão corretas!
Nota: O
texto do Novo Acordo Ortográfico também consagra as duas formas de pronunciar.
Abraço.
António
Pereira
