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agosto 17, 2013

.Qual a origem da palavra ASSASSINO?

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Esta é uma palavra cujas conotações mexem de forma instintiva com as nossas emoções mais profundas. A simples pronúncia dos sons sibilantes que a compõem deixa-nos em estado de alerta…
De onde vem o termo? Não há dúvida de que a origem está no árabe. Virá de hassasî, haxaxi ou hashishiyyin?
1. Para a Infopédia, vem de hassasî, «bebedor de haxixe» (pelo italiano assassino).
2. José Pedro Machado (Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa), confirmando que o vocábulo entra na língua portuguesa pelo italiano, embora também situe a sua origem no árabe, dá-nos uma grafia diferente (haxaxi “do haxixe; que usa bebe ou fuma haxixe”. Acrescenta ainda: “os sequazes do Velho da Montanha cometiam os delitos que lhe tinham sido impostos após terem bebido uma mistela inebriante, preparada com haxixe, cuja folhas secas se comem e fumam”.
3. O sítio brasileiro http://origemdapalavra.com.br situa a origem no árabe hashishiyyin e acrescenta que “Era o nome aplicado aos participantes de uma seita ismaelita da qual se dizia que enviava matadores sob o efeito dessa droga.”
A palavra terá entrado no português no século XVI com a grafia asasinos.

Abraço.

António Pereira

agosto 15, 2013

.Qual a origem da palavra ZERO?

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Os Romanos desconheciam o zero, começando o seu sistema de numeração no 1 (I). 
“O algarismo zero, ausente no sistema de numeração dos romanos, fora descoberto pelo povo hindu, bem como um novo sistema de numeração semelhante ao utilizado atualmente. Esse sistema consistia em uma base decimal (dez algarismos) que ordenados entre si formavam e representavam qualquer número. O sistema criado pelos hindus fora divulgado por toda a Europa pelos árabes, passando a ser conhecido como sistema de numeração indo-arábico. Esses números contribuíram de forma incessante na modernização dos cálculos matemáticos, em razão de sua praticidade simbólica e representação de quantidades.” (In http://www.brasilescola.com/curiosidades/como-se-escreve-o-zero-na-escrita-romana.htm)
Dito isto, não supreende que a palavra zero venha do sifr (vazio), pelo latim zephĭru-,. Entra na língua portuguesa pelo francês zéro, segundo a maior parte das fontes. Outras levantam a hipóteses de nos ter chegado pelo italiano zero.

Abraço.
AP


P.s. Acho muito interessante e prática a forma verbal “zerar”, usada no Brasil. Por cá, somos mais palavrosos: “pôr a zeros”, “dar a nota zero”, etc.

agosto 11, 2013

O ou A apêndice?

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A propósito de um outro artigo em que utilizei a expressão “o apêndice”, alguns leitores brasileiros questionaram-me sobre o género da palavra, sugerindo o seu uso no feminino (“a apêndice”).
Não tinha qualquer dúvida de que, em Portugal, é o apêndice. Logo, centrei-me nas fontes brasileiras (Aulete, Houaiss, Michaelis e VOLP da Academia Brasileira de Letras) e a conclusão é clara.

PORTUGAL e BRASIL

Devemos dizer apenas O apêndice

Nota: A dúvida poderá ter uma explicação no facto de dizermos A apendicite…

Abraço.
AP

julho 18, 2013

.dignitário ou dignatário?

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PORTUGAL
A versão dignatário, usada por um número significativo de falantes (e também por alguns meios de comunicação), resulta da contaminação com dignar e digno/a.
Para nos referirmos à “pessoa que exerce um alto cargo, que tem um título honorífico ou foi investida de uma dignidade” (In Infopédia), só há uma opção: dignitário.

BRASIL
Os dicionários que consultei (Aulete e Houaiss) e o VOLP da Academia Brasileira de Letras apresentam verbetes para ambas as palavras. No Hoauiss pode ler-se que dignatário é o mesmo que dignitário.

CONCLUSÕES:
PORTUGAL
BRASIL
dignitário
dignitário ou dignatário

NOTAS:
1.   A palavra dignitário resulta da adaptação do francês dignitaire e entrou na língua portuguesa no século XIX.
2.   Enquanto o italiano (dignitário) segue a linha do português europeu, o castelhano diverge: dignatario.

Abraço.
António Pereira

julho 17, 2013

.secção ou seção?

Em Portugal, é assim!
 

Segundo a Base IV do Novo Acordo Ortográfico, “Conservam-se ou eliminam-se facultativamente, quando se proferem numa pronúncia culta, quer geral, quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o emudecimento”.
Em secção, o c é inequivocamente pronunciado em Portugal. Consultando os dicionários portugueses e o Vocabulário do Portal da Língua Portuguesa, lá está, preto no branco: secçãoàPortugal e seçãoàBrasil. Na grafia desta palavra não houve nenhuma alteração, mantendo-se o que estava em vigor desde 1943 (Brasil) e 1945 (Portugal).
A mesma situação se passa, por exemplo, com as palavras aspeto e aspecto; dicção e dição; facto e fato; corrupto e corruto, em que há dupla grafia para o Brasil, mas apenas uma para Portugal (assinalada a azul).

CONCLUSÕES:
Portugal 
secção
Brasil 
seção e secção
Nota: Embora seção pareça ser mais comum, segundo os dicionários e o Vocabulário da Academia Brasileira de Letras, é igualmente correta a escolha de secção.

Abraço.
AP

julho 14, 2013

.Qual a origem da palavra PEPINO?

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Embora vários dicionários optem pela ideia de que o nosso pepino será a adoção, em 1400, do vocábulo castelhano pepino, em 1400, José Pedro Machado, no Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, vai noutra direção:
“A cronologia parece opor-se à teoria que tira este vocábulo do castelhano pepino (cerca de 1400). Talvez se trate de formação portuguesa, semelhante à do citado vocábulo castelhano, isto é, de um antigo pepón “melão” (…). Pepón provém do latim pepone- “melão”, este, por sua vez, do grego pepon.”

Notas complementares:
1. O concombre francês também vem do latim, mas de uma palavra diferente: cucumis. Do mesmo étimo vem o desconhecido termo português cogombro (sinónimo de pepino), o espanhol cohombro e o italiano cocomero.
2. Os ingleses foram buscar o seu cucumber ao francês, no século XIV.

Um abraço cheio da vitamina C do pepino!
António Pereira


julho 13, 2013

.Qual a origem da palavra TOMATE?

Na minha horta, os tomates (lindos!) começam a amadurecer...
 
O termo vem do nauatle (o idioma dos astecas) tomatl (“a fruta que incha”). Em 1532 é adaptado para o castelhano (tomate), entrando posteriormente no português. Segundo o Houaiss, o termo remonta a 1721.
José Pedro Machado, no seu Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, volume V, apresenta um extrato da obra História da América Portuguesa I, século XVIII: “Das hortaliças da Europa há no Brasil alfaces… nabos… cenouras… tomates… e beldroegas…”
 Nota: Na região centro de Portugal (Beiras), usa-se o regionalismo tomata (género feminino).
 
Sobre a interessante história sobre a história deste fruto:
“O tomate é o fruto do tomateiro (Solanum lycopersicum; Solanaceae). De sua família, fazem também parte as berinjelas, as pimentas e os pimentões, além de algumas espécies não comestíveis.
Originário das Américas Central e do Sul, era amplamente cultivado e consumido pelos povos pré-colombianos, sendo atualmente cultivado e consumido em todo o mundo. (…)
A maioria dos botânicos atribui a origem do cultivo e do consumo (e mesmo a seleção genética) do tomate como alimento à civilização inca do antigo Peru, o que deduzem por ainda persistir, naquela região, uma grande variedade de tomates selvagens e algumas espécies domesticadas (de cor verde) conhecidas apenas ali.
Estes acreditam que o tomate da variedade Lycopersicum cerasiforme, que parece ser o ancestral da maioria das espécies comerciais atuais, tenha sido levado do Peru e introduzido pelos povos antigos na América Central, posto que foi encontrado amplamente cultivado no México.
Outros estudiosos acreditam que o tomate seja originário da região do atual México, não apenas pelo nome pertencer tipicamente à maioria das línguas locais (náuatles), mas porque as cerâmicas incas não registraram o uso do tomate nos utensílios domésticos, como era costume. Os primeiros contestam tal objeção, pelo fato de que muitas outras frutas e alimentos dos incas também não foram representados nas cerâmicas.”
In http://pt.wikipedia.org/wiki/Tomate (acedido em 13/07/2013)
 
Abraço e boas saladas!
António Pereira