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março 19, 2013

."substituir" ou "substituir-se a"?

Imagem encontrada AQUI.

Substituir significa “pôr pessoa ou coisa em lugar de; trocar”, sendo suficiente para todos os contextos. No entanto, encontramos com frequência títulos como este: "Estado está a substituir-se aos acionistas na recapitalização da banca”.
Embora para os autores mais clássicos seja de evitar (por ser uma construção “à francesa”), não será erro dizer substituir-se a.

Abraço
AP


6 comentários:

  1. Dumas, tinha e tem razão.

    Aceito, e até vejo diferenças, de sentido, entre os dois verbos.

    Obrigada pelos comentários.

    Boa semana

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    1. Boa semana também para si, com muita luz!
      Bj
      AP

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  2. Perguntas
    «Substituir por outro»Maria Amorim - Revisora - Porto, Portugal

    [Pergunta]
    Pedia que me elucidassem sobre a seguinte questão: a frase «Kant substituiu à razão estática uma razão dinâmica» é válida? Ou deverá ficar: «Kant substituiu a razão estática por uma razão dinâmica»?


    [Resposta]
    A segunda frase apresentada — «Kant substituiu a razão estática por uma razão dinâmica» — é a correta.

    Segundo o Dicionário Sintático de Verbos Portugueses (Coimbra, Almedina, 1994), de Wilfried Busse (coord.), a sintaxe do verbo substituir prevê duas situaçôes:

    — N - V - N - (por N):

    «Não podemos retirar um disco para o substituir por outro.»

    «Tenho de substituir o pneu da bicicleta (por outro).»

    «O dono deste prédio substitui o velho porteiro (por outro).»

    — N - V - N:

    «Os manuais escolares não substituem as explicações claras e concisas de que todo o programador necessita.»

    «Para alguns, o psicanalista substitui o confessor.»

    Eunice Marta - 18/01/2012
    *************************************************
    Isto é o correcto e propriamente vernáculo. O resto é o português a ajeitar-se à introdução ou penetração gálica e galicada do costume --«comme d'habitude».

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    Respostas
    1. Caro Montexto (anónimo "de temps en temps"):
      A questão não é entre “substituir a” e “substituir à” (como na frase de Kant), mas entre “substituir” e “subsituir-se a”. Recorrendo também ao Ciberdúvidas:
      “Perguntas
      Substituir e substituir-se Inês Hugon - Editora - Lisboa,
      [Pergunta]
      É válida a fórmula «substituir-se a»?
      Por exemplo: «As almas eternas podem ser compreendidas como metáforas que se substituem a uma realidade desagradável.»
      Não deveria ser, mais simplesmente: «... que substituem uma realidade desagradável»?
      [Resposta]
      É possível utilizar «substituir-se a», significando «ocupar um lugar que não é o seu; ter uma função que inicialmente não lhe competia».
      Por conseguinte, o exemplo apresentado é válido.
      Outro exemplo: «A irmã mais velha substitui-se à mãe nas tarefas domésticas.»
      Contudo, também poderíamos dizer: «A irmã mais velha substitui a mãe nas tarefas domésticas.»
      Assim, também podemos aceitar a formulação mais simples: «... que substituem uma realidade desagradável.»
      Helena Ventura - 17/04/2008”

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  3. O anterior, «c'est moi», como dizia o outro, e eu acho que me esqueci.
    - Montexto

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  4. Eu tb vi essa resposta das Ciberdúvidas, mas, como está errada, é prejudicial citá-la.
    A questão é muito simples, e trata-se de saber qual a construção das orações com o verbo «substituir», a qual em português nunca é propriamente «substituir-se a», mas só -- alguém ou algo substituir outrem ou algo, -- ou alguém ou algo substituir outrem ou algo por mais alguém ou algo.
    1.º caso
    eu substituo o meu colega = o meu colega é substituído por mim
    2.º caso
    o patrão substituiu o empregado Fulano por Beltrano.
    *
    Era assim o português em Portugal, antes das invasões francesas. «Substituir-se a», francês retinto.
    Curioso é que os franciús têm lá a suas contruções, e não precisam, não conhecem nem querem saber das nossas, e fazem bem; e o triste do lusíada, coitado, tem tb as suas, mas pelo visto nunca lhe chegam para o seu governo, e está sempre pronto a pedir as alheias emprestadas. É a sua especialidade: pedir emprestado. Não só na língua.
    O lusíada, coitado, e a sua língua, coitadinha, qual deles o mais descaracterizado.
    - Montexto

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